O Banco Central (BC) instaurou uma investigação interna para avaliar a conduta de sua área técnica na fiscalização e posterior liquidação extrajudicial do Banco Master. A auditoria, determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, em novembro, busca identificar eventuais omissões que permitiram o aumento das operações de risco da instituição pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro sem a detecção tempestiva pelo órgão regulador.
A investigação corre sob sigilo e foi confirmada nesta quinta-feira (29), após as informações serem tornadas públicas. Segundo fontes ligadas à presidência da autarquia, o objetivo do procedimento é garantir que o processo de liquidação esteja devidamente documentado e evitar que falhas de supervisão se repitam em outros casos.
Afastamento de diretores e chefias
No desdobramento da auditoria, dois nomes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) foram afastados de suas funções. Belline Santana, que ocupava o cargo de chefe do departamento, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e então chefe-adjunto, deixaram os postos. Ambos os servidores solicitaram a saída de suas funções gratificadas após o início dos trabalhos da corregedoria interna.
Embora os afastamentos tenham ocorrido no contexto da sindicância, não há, até o momento, acusações formais contra os profissionais. O presidente Galípolo tem enfatizado a assessores que a medida não constitui uma perseguição administrativa, mas um esforço técnico para apurar por que o Banco Master expandiu suas atividades de forma arriscada sem intervenções prévias eficazes.
Entenda a liquidação extrajudicial
A crise da instituição financeira levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial em novembro passado, medida que interrompe as operações do banco e nomeia um liquidante para gerir a extinção da entidade. No ofício de decretação, o BC justificou a ação citando a precariedade da situação econômico-financeira e o descumprimento de normas bancárias vigentes.
A medida foi justificada pela situação econômico-financeira da instituição e pela infringência às normas que disciplinam a atividade bancária.Ofício da Presidência do Banco Central
Impasse com o Tribunal de Contas da União
O processo de liquidação também gerou um conflito de competências com o Tribunal de Contas da União (TCU), que inicialmente determinou uma inspeção formal nos documentos do Banco Central. O impasse institucional foi resolvido após uma reunião entre Galípolo e o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho.
Ficou acordado que o Banco Central retiraria recursos judiciais contra a fiscalização em troca de uma saída negociada. Agora, em vez de uma inspeção externa direta, os órgãos realizarão diligências técnicas conjuntas para analisar a documentação do caso Master, preservando o sigilo bancário e a autonomia técnica do BC.
