Representantes do governo federal, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciaram a retomada dos trabalhos legislativos e judiciários nesta segunda-feira (2) sob uma articulação de bastidores para conter o avanço de investigações em curso. O objetivo da movimentação, conforme apurado, é evitar que desdobramentos judiciais prejudiquem candidaturas políticas durante o ano eleitoral.
Interesses cruzados e governabilidade
A estratégia envolve uma troca de concessões entre os Três Poderes. Pressionado por inquéritos que apuram o desvio de emendas parlamentares, o Congresso Nacional sinaliza ao Palácio do Planalto que a aprovação de pautas de interesse do governo está condicionada à desaceleração dos processos. Entre as prioridades do Executivo estão a proposta de fim da escala 6×1 e a aprovação do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF.
No âmbito do Judiciário, o governo monitora a composição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terá o ministro Nunes Marques na presidência e André Mendonça como vice. A preocupação do Planalto reside na manutenção da governabilidade e na estabilização da relação com o STF, desgastada por episódios como o caso do Banco Master e a condução de inquéritos pelo ministro Dias Toffoli.
Tensões no Supremo Tribunal Federal
O clima entre o Planalto e a Suprema Corte é de cautela. Integrantes do STF manifestaram descontentamento com o que avaliam ser uma postura de distanciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação às crises enfrentadas pelo tribunal. O incômodo reflete a dificuldade de consolidar uma base de apoio mútua diante de investigações que atingem diferentes espectros políticos.
Barreiras à articulação
Apesar das tentativas de acomodação política, a principal barreira para o êxito do acordo reside na autonomia técnica dos órgãos de controle. Interlocutores avaliam que o trabalho realizado pela Polícia Federal na apuração de esquemas de corrupção impõe limites às negociações políticas. Os próximos passos dos atores políticos devem focar em:
- Monitoramento da composição do TSE para as eleições de 2026;
- Negociação de pautas legislativas em troca de apoio político;
- Gestão de danos reputacionais decorrentes de inquéritos sobre verbas parlamentares.
