A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), uma operação para desarticular um suposto “núcleo político” da facção criminosa Comando Vermelho. A investigação aponta que o grupo mantinha influência nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para facilitar o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro no estado. Até o momento, 14 pessoas foram presas em sete estados brasileiros.
Participação de agentes públicos
Entre os detidos na capital amazonense está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante). Segundo as autoridades, o prefeito não é alvo nem investigado no processo. O esquema também envolveria um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.
De acordo com a polícia, o grupo operava por meio de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. A estimativa é que a organização tenha movimentado aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018, mantendo uma média de R$ 9 milhões anuais em transações financeiras ilícitas.
Logística internacional e lavagem de dinheiro
As investigações indicam que as empresas eram utilizadas para adquirir entorpecentes na Colômbia e transportá-los até Manaus. Da capital amazonense, a droga era distribuída para outras unidades da federação. O monitoramento policial identificou o uso de rotas fluviais e terrestres, além de veículos alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento.
Ao todo, o Judiciário expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. As ordens foram cumpridas em cidades do Amazonas, Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Maranhão. Também foram autorizados o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens.
Origem da investigação
O inquérito foi instaurado após a apreensão de 500 tabletes de maconha skunk, sete fuzis de uso restrito e embarcações de transporte. Relatórios de inteligência financeira revelaram movimentações bancárias atípicas e incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.
Os suspeitos devem responder pelos seguintes crimes:
- Organização criminosa e associação para o tráfico;
- Corrupção ativa e passiva;
- Lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio;
- Violação de sigilo funcional.
A polícia ainda apura se o grupo tentou obter informações sigilosas sobre procedimentos criminais para antecipar ações judiciais. O espaço segue aberto para a manifestação das defesas dos citados.
