Cinquenta e cinco municípios do Piauí registraram um volume de chuvas abaixo da média histórica em janeiro, segundo levantamento da Sala de Monitoramento e Eventos Climáticos Extremos da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). O relatório aponta que apenas cinco cidades do estado apresentaram aumento nos acumulados pluviométricos em comparação ao mesmo período do ano passado.
Variações regionais e municípios afetados
O início da quadra chuvosa no estado foi marcado por precipitações irregulares e de baixa intensidade. Entre as cidades com maior redução no volume de chuvas, destacam-se Alto Longá, com queda de 269,30 milímetros, seguida por Castelo do Piauí (-259,40 mm) e Boqueirão do Piauí (-251,20 mm). Já as menores variações negativas ocorreram em Parnaíba (-10,30 mm), Assunção do Piauí (-6,00 mm) e Miguel Alves (-0,70 mm).
Em contrapartida, cinco municípios conseguiram superar os índices do ano anterior:
- Cajueiro da Praia: 107,55 mm
- União: 90,40 mm
- Nossa Senhora dos Remédios: 81,50 mm
- Ilha Grande: 35,00 mm
- Cristino Castro: 16,70 mm
Atuação da Zona de Convergência Intertropical
De acordo com a meteorologista Sônia Feitosa, o padrão climático começou a mudar no início de fevereiro, apresentando uma distribuição mais regular das chuvas em todo o território piauiense.
“O mês vem sendo marcado por uma condição de chuvas. Até janeiro, elas aconteciam com pouca intensidade e de forma mal distribuída. A partir do fim da primeira semana de fevereiro, passaram a se distribuir de forma mais uniforme em todas as regiões do estado”
— Sônia Feitosa, meteorologista da Semarh.
A mudança é atribuída à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), um sistema atmosférico que favorece a formação de nuvens e o transporte de umidade para as regiões Norte e Nordeste do Brasil. O fenômeno tem intensificado as instabilidades especialmente nas zonas central e sul do Piauí.
Previsão e alertas para a população
A previsão meteorológica indica a continuidade das chuvas nos próximos dias. Há potencial para acumulados de até 100 milímetros em 24 horas ou 60 milímetros em apenas uma hora, o que aumenta o risco de alagamentos e transtornos urbanos.
A Semarh reforça a necessidade de acompanhar os boletins diários de monitoramento, alertando para situações de “perigo”, que envolvem riscos de tempestades com raios e ventos intensos em diversas regiões do estado.
