A Assembleia de Peritos do Irã nomeou o clérigo Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como o novo líder supremo do país, sucedendo seu pai, Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo na semana passada. A escolha sinaliza a continuidade da política de linha dura na República Islâmica.
Relação com o poder e as Forças de Segurança
Mojtaba Khamenei consolidou influência política atuando nos bastidores como um dos principais assessores de seu pai. O clérigo mantém laços estreitos com a Guarda Revolucionária (IRGC) e tem sido uma figura central na gestão do aparato de segurança do Estado.
Ele conta com uma base sólida e apoio dentro do IRGC, em particular entre as gerações radicais mais jovens.
Kasra Aarabi, chefe de pesquisas da organização United Against Nuclear Iran
Especialistas apontam que a sucessão reflete um movimento para manter o controle do programa nuclear e das políticas externas sob a égide da ala mais conservadora do regime, mantendo a oposição a qualquer engajamento diplomático com o Ocidente.
Perfil e críticas
Embora possua o posto clerical de Hojjatoleslam, críticos questionam a falta de credenciais teológicas de Mojtaba Khamenei, uma vez que o cargo de líder supremo é tradicionalmente ocupado por um aiatolá. Além disso, o sucessor nunca exerceu cargos formais no governo, embora tenha sido alvo de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA desde 2019, sob a acusação de atuar como representante oficial de seu pai.
Contexto político
A ascensão ocorre em um cenário de instabilidade interna. O sucessor enfrenta histórico de rejeição popular, tendo sido alvo de críticas durante protestos em 2022 e por sua suposta interferência em processos eleitorais anteriores, como na eleição de 2009. O processo de sucessão foi acelerado após a morte do ex-presidente Ebrahim Raisi, ocorrida em 2024, que era considerado outro nome de peso na sucessão teocrática do país.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/perfil-quem-e-mojtaba-khamenei/
