A Operação Contrato Simulado, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) em junho de 2025, tornou-se um fator central na articulação política do ex-prefeito de Picos, Gil Marques de Medeiros, conhecido como Gil Paraibano (PP). O político, que planeja uma candidatura a deputado federal, enfrenta o desgaste de uma investigação que apura supostas fraudes em licitações e desvios de recursos federais da saúde municipal entre 2021 e 2023.
Detalhamento da Operação
Durante a ação, a PF cumpriu oito mandados de busca e apreensão no Piauí e no Ceará. A Justiça Federal determinou o sequestro de bens e valores estimados em R$ 3,5 milhões, montante que corresponderia ao prejuízo causado aos cofres públicos. De acordo com as autoridades, o esquema envolvia a Cooperativa de Trabalho Multiprofissional de Saúde Ltda (Coopermais Saúde) para a intermediação irregular de mão de obra.
Envolvimento familiar na gestão
A investigação aponta que, no período sob suspeita, a Secretaria Municipal de Saúde era comandada por integrantes do núcleo familiar de Gil Paraibano. Aldo Gil de Medeiros, filho do ex-prefeito e deputado estadual, chefiou a pasta entre 2021 e 2022. Na sequência, o cargo foi ocupado por Tatiane Gil, nora do ex-prefeito. Os investigadores identificaram indícios de:
- Planilhas adulteradas;
- Movimentações financeiras suspeitas e saques em espécie;
- Contratação de empresas de fachada;
- Fraudes em pregões eletrônicos.
Contexto jurídico e político
Além da esfera criminal, o modelo de contratação de profissionais de saúde via cooperativa já havia sido questionado pelo Ministério Público do Trabalho, que obteve decisão judicial para a dissolução da entidade devido à constatação de vínculo empregatício irregular. Em gestões anteriores, tanto Aldo Gil quanto Tatiane Gil justificaram as crises administrativas da pasta citando o déficit crônico de recursos federais.
A saúde de Picos sempre teve dificuldades financeiras. Ela possui um déficit mensal entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, independentemente de quem esteja à frente da administração municipal.
Aldo Gil de Medeiros, em declaração de julho de 2023.
Os suspeitos respondem por crimes como fraude em licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e sonegação fiscal, com apuração contínua sobre a atuação coordenada de agentes públicos e empresários no desvio de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS).
