Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso Nacional agendaram para esta semana o depoimento da influenciadora e empresária Martha Graeff, ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. Os parlamentares buscam esclarecer as relações do ex-banqueiro com autoridades e investigar possíveis irregularidades financeiras.
Cronograma e desafios
O depoimento de Graeff está previsto para a segunda-feira (23) na CPMI do INSS e para a quarta-feira (25) na CPI do Crime Organizado do Senado. No entanto, informações apuradas indicam que os órgãos enfrentam dificuldades para localizar a empresária e efetuar sua notificação.
Motivações das investigações
A CPMI do INSS investiga supostas irregularidades no crédito consignado destinado a aposentados, enquanto a CPI do Crime Organizado apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa envolvendo o grupo de Vorcaro. A convocação de Graeff ocorre após o empresário ter obtido, por meio de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o direito de não comparecer à comissão.
Evidências em diálogos
Investigações baseadas em trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e Graeff apontam que a empresária teria conhecimento de encontros de Vorcaro com figuras de relevo no cenário político e jurídico. Segundo parlamentares, o testemunho é considerado fundamental para detalhar a rede de influência do grupo.
Segundo o requerimento do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), “Como testemunha direta de comunicações e encontros que misturam interesses privados de uma instituição financeira sob investigação com a esfera pública, o seu depoimento é peça-chave para desvendar a extensão da rede de influência montada em torno do grupo econômico em questão”.
Principais pontos das comunicações
Os documentos sob análise dos investigadores mencionam:
- Relatos de encontros com o ministro do STF, Alexandre de Moraes, em contextos de feriados e reuniões privadas.
- Uma reunião ocorrida em dezembro de 2024 entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a presença de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central.
- Indícios de pressões externas descritas pelo empresário como uma “extorsão”, mencionadas em comunicações enviadas em abril de 2024.
