O preço médio do querosene de aviação (QAV) sofreu um aumento superior a 50% pela Petrobras a partir deste mês de abril. O reajuste, motivado pela valorização do petróleo no mercado internacional em decorrência dos conflitos no Oriente Médio, pressiona os custos operacionais das companhias aéreas e pode resultar em um repasse de até 20% no valor das passagens para os consumidores.
Projeções de mercado
Segundo Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, o cenário mais provável é de um incremento entre 10% e 20% no custo final das tarifas aéreas. O especialista ressalta que o repasse aos clientes dependerá da estratégia de cada empresa e da demanda por assentos.
Em um cenário de alta de cerca de 15% nas passagens, é razoável esperar também uma retração da demanda em torno de 15%, o que seria bastante significativo para as empresas do setor.
Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting
Impacto operacional
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) classificou o reajuste como uma medida de consequências severas para o setor. Com a nova majoração, somada ao aumento de 9,4% aplicado em março, o combustível passa a representar 45% dos custos operacionais das companhias, ante o patamar anterior de 30%.
Para atenuar o impacto imediato, a Petrobras informou que as distribuidoras pagarão um reajuste inicial de 18% em abril, enquanto a diferença restante será parcelada em seis vezes a partir de julho.
Medidas governamentais
Diante da pressão sobre o setor aéreo, o Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda propostas para mitigar os efeitos do aumento. As medidas em estudo visam:
- Preservar a competitividade das empresas aéreas;
- Evitar repasses excessivos ao consumidor final;
- Manter a conectividade aérea nacional;
- Possível criação de uma linha de crédito via Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para a compra de QAV.
Em nota, o Ministério da Fazenda declarou que monitora de forma contínua a evolução do cenário internacional e seus desdobramentos sobre a economia brasileira.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/04/02/preco-passagens-aereas.ghtml
