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Falta de órgãos municipais de proteção está ligada a 66% dos feminicídios no Piauí

Levantamento realizado pelo Observatório da Mulher Piauiense aponta que 66,6% das cidades do Piauí onde ocorreram casos de feminicídio em janeiro e fevereiro de 2026 não possuíam Organismos de Política para as Mulheres (OPM). O dado indica uma correlação entre a ausência de estruturas municipais de prevenção e a incidência de violência letal contra o público feminino no estado.

Panorama da estrutura de atendimento

Atualmente, o Piauí conta com 224 municípios, dos quais 81 implementaram Secretarias Municipais das Mulheres. A criação desses órgãos depende da iniciativa do Executivo municipal, com posterior capacitação oferecida pelo governo estadual. A principal justificativa apresentada pelos prefeitos para a não implementação das pastas é a restrição orçamentária.

O nosso desafio não é só criar as Secretarias Municipais das Mulheres, mas disponibilizar orçamento para as políticas públicas. Vários municípios já destinaram recursos no orçamento municipal, isso é um avanço, mas queremos até o final do ano ter pelo menos 100 cidades com organismos de gênero.

Zenaide Lustosa, secretária estadual das Mulheres

Aumento nas denúncias e medidas protetivas

Embora os números de violência letal sejam preocupantes, o estado observou um incremento na busca por auxílio institucional nos dois primeiros meses de 2026. Segundo dados das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), foram registrados 1.766 boletins de ocorrência, uma alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025.

Outros indicadores de proteção também apresentaram crescimento:

  • Medidas protetivas: 1.606 concessões, aumento de 16% em comparação ao ano anterior, com Teresina concentrando 61% dos casos.
  • Ligue 180: Foram registradas 985 ligações, um crescimento de 139%.
  • Casa da Mulher Brasileira: O atendimento inicial cresceu 94% em Teresina.

Para a coordenadora do Observatório da Mulher Piauiense, Maria Clara Silveira, o aumento nos registros sugere uma maior confiança nas instâncias oficiais. Contudo, ela ressalta que a rede de proteção deve expandir suas ações, que incluem desde a promoção de espaços de acolhimento e aleitamento materno até o enfrentamento ao assédio e a maior participação feminina em espaços de poder.

Fonte: https://cidadeverde.com/noticias/453386/no-pi-66-das-cidades-sem-politicas-para-as-mulheres-tem-alta-de-violencia

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