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EUA e Irã iniciam negociações de paz no Paquistão em meio a balanço de perdas e ganhos

Delegações de Estados Unidos e Irã reúnem-se nesta quarta-feira, no Paquistão, para dar início às negociações de paz destinadas a encerrar o conflito entre as duas nações. Apesar do cessar-fogo ainda instável, ambos os governos reivindicam vitórias, enquanto analistas apontam impactos significativos e assimétricos nas áreas militar, econômica e política.

Impactos militares e humanos

O Irã registrou o maior número de baixas militares, sendo o alvo principal de uma série de bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel. No entanto, especialistas destacam que essas perdas não anularam a capacidade de reação das forças iranianas. Segundo o professor Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, o país utilizou sua geografia montanhosa para proteger instalações estratégicas e fábricas de armamentos. O conflito também gerou um expressivo custo humano, com registros de mortes de civis no Irã, Israel, Líbano e em nações do Golfo Pérsico.

Consequências econômicas

O impacto financeiro é expressivo para ambos os lados:

  • Estados Unidos: Gastaram cerca de US$ 16,5 bilhões em munições e equipamentos nos primeiros 12 dias de combate, além de contabilizar prejuízos materiais de US$ 1,4 bilhão.
  • Irã: O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o país enfrentará um custo de cerca de US$ 600 bilhões ao longo de 15 anos para a reconstrução de infraestruturas destruídas.

Desdobramentos políticos e estratégicos

O cenário político interno nos Estados Unidos sofreu abalos com o prolongamento das tensões. A aprovação do presidente Donald Trump atingiu seu nível mais baixo desde o início de seu segundo mandato, impulsionada por críticas de opositores e de integrantes de sua própria base política. A gestão do conflito gerou debates sobre a viabilidade da 25ª Emenda da Constituição, que trata da substituição do mandatário por incapacidade.

No campo diplomático, o regime iraniano permanece operacional, apesar das ofensivas. Sobre o objetivo declarado de neutralizar o programa nuclear do Irã, analistas indicam que os EUA não obtiveram sucesso. Para Vinícius Rodrigues, professor de Relações Internacionais da FGV e da FAAP, o desfecho do conflito sinaliza um possível declínio da influência americana no cenário global.

Não houve uma mudança completa de regime no Irã. Para todos os efeitos, o regime dos aiatolás continua existindo e não foi derrubado nem ao ser atacado pela maior potência militar do mundo e pela maior potência militar do Oriente Médio, que é Israel.

Marcelo Lins, comentarista de política internacional

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/11/eua-x-ira-quem-mais-perdeu-e-ganhou-na-guerra-ate-agora-negociacao-de-paz-comeca-hoje-no-paquistao.ghtml

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