A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (16), a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de ocultação patrimonial envolvendo o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A investigação aponta que um grupo de empresas imobiliárias foi criado para encobrir a propriedade de bens avaliados em R$ 146,5 milhões.
Estrutura do esquema
Segundo os investigadores, o esquema utilizava empresas de fachada para dissimular a titularidade real de imóveis. O principal operador apontado é Hamilton Edward Suaki, indicado como diretor formal de seis sociedades anônimas. Suaki é cunhado do advogado Daniel Monteiro, operador jurídico de Vorcaro, que foi preso durante a operação.
As empresas citadas nas investigações — Allora, Lenore, Stanza, Domani, Chesapeake e Milano — compartilham o mesmo endereço de um escritório de advocacia em São Paulo vinculado a Monteiro. Conforme dados da Receita Federal, estas companhias, constituídas entre julho e outubro de 2024, possuem capitais sociais que variam de R$ 4,6 milhões a R$ 41 milhões.
Investigação e movimentações
A PF aponta que Paulo Henrique Costa teria negociado pelo menos seis imóveis pertencentes a Vorcaro, totalizando cerca de R$ 140 milhões. Os investigadores suspeitam que as transações seriam uma forma de pagamento de propina para facilitar negócios entre o BRB e o Banco Master. Do montante negociado, R$ 74 milhões chegaram a ser efetivamente pagos.
A estrutura societária tinha como finalidade impedir que o nome de Paulo Henrique Costa fosse diretamente associado aos bens, utilizando Suaki como interposta pessoa, ou laranja, para ocultar o patrimônio.
Investigação da Polícia Federal
Detalhamento da operação
A ação, que visa apurar crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e delitos financeiros, resultou na expedição de dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. Entre os elementos que embasam o inquérito estão trocas de mensagens via aplicativo, nas quais Costa e Monteiro discutem a estruturação das empresas.
Até o momento, a defesa de Hamilton Suaki e representantes das empresas citadas não se pronunciaram sobre as acusações.
