O governo federal lança nesta segunda-feira (4) a nova etapa do programa de renegociação de dívidas, conhecido como Desenrola 2.0. Embora a medida ofereça um alívio imediato para famílias endividadas, analistas econômicos questionam se a iniciativa é capaz de solucionar as causas estruturais do endividamento no país.
Limitações estruturais
Segundo o analista de economia Fernando Nakagawa, a recorrente criação de programas de perdão de dívidas pode comprometer o processo de educação financeira da população. O especialista argumenta que a expectativa de novos descontos governamentais reduz o incentivo para que consumidores mantenham o controle de suas finanças.
Se você sempre tem alguém passando a mão na sua cabeça para dizer que tudo bem, vou te dar um desconto aqui, essa educação, esse processo de aprendizado talvez não role.
Fernando Nakagawa, analista de economia
Impacto do crédito rotativo
O cenário de endividamento é agravado pelos juros elevados, especialmente na modalidade de crédito rotativo do cartão de crédito. Nakagawa descreve essa dinâmica como uma "bola de neve" financeira, na qual a facilidade de acesso ao crédito torna o controle dos gastos um desafio recorrente para as famílias brasileiras.
Dimensão política e popularidade
Apesar da percepção política de que o Desenrola seria uma ferramenta eficaz para alavancar a popularidade do governo, os resultados são incertos. Dados da pesquisa Datafolha relativos à primeira edição do programa, lançada no segundo semestre de 2023, indicam que qualquer ganho de aprovação foi temporário e seguido por uma queda nos índices subsequentes.
- O Desenrola 2.0 não é considerado uma iniciativa recorrente pelo governo, segundo Dario Durigan.
- O programa pode atuar como um limitador de uma queda maior na popularidade, ainda que não garanta uma melhora expressiva.
- O alto nível de endividamento persiste mesmo diante de indicadores macroeconômicos favoráveis, como o baixo desemprego e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
