O governo federal lançou nesta semana o programa “Novo Desenrola Brasil”, uma iniciativa voltada à renegociação de dívidas que visa atender até 20 milhões de brasileiros. O projeto estima viabilizar a regularização de R$ 58 bilhões em débitos, em um momento em que o endividamento das famílias atinge o patamar recorde de 80,9% da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Contraste econômico
O cenário de alta inadimplência, que atinge 29,6% das famílias, ocorre simultaneamente a indicadores econômicos positivos. No trimestre encerrado em março, a taxa de desemprego atingiu 6,1%, o menor patamar para o período, enquanto o rendimento médio mensal superou R$ 3.722, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Fatores do endividamento
Especialistas atribuem a persistência do endividamento a uma combinação de custo de vida elevado, crédito oneroso e mudanças na política monetária. Após o ciclo de juros baixos iniciado durante a pandemia, o Banco Central elevou a taxa Selic para 15% ao ano em junho de 2025 para conter a inflação, encarecendo o acesso ao capital.
É perfeitamente possível ter um mercado de trabalho aquecido e, ao mesmo tempo, famílias mais endividadas.
Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre
Além disso, o comprometimento da renda com dívidas bancárias alcançou 29,3% em janeiro deste ano. Dados da consultoria Tendências, com base no IBGE, apontam que 41,8% do orçamento familiar são destinados a itens essenciais como alimentação, habitação e saúde, reduzindo a margem para poupança.
Aspectos comportamentais
A economista Olívia Resende destaca que fatores comportamentais, como o “viés do presente”, levam consumidores a priorizar o valor da parcela em detrimento do custo total da dívida. Segundo a CNC, o cartão de crédito permanece como a principal modalidade de dívida para 84,9% dos consumidores.
- Educação financeira: Especialistas defendem a implementação de programas educativos desde a base escolar para mitigar o ciclo de dependência do crédito.
- Normalização: O aumento de conteúdos digitais que prometem atalhos para a quitação de dívidas tem gerado preocupação, com especialistas alertando sobre o uso equivocado de dispositivos como a Lei do Superendividamento.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/08/por-que-o-brasileiro-segue-endividado.ghtml
