O Piauí apresenta o segundo menor índice de desigualdade salarial entre homens e mulheres no país, segundo dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Conforme o levantamento, as trabalhadoras piauienses recebem, em média, 92,1% da remuneração paga aos homens, percentual superado apenas pelo estado do Acre, que registrou 91,9%.
Análise de dados
O índice estadual contrasta com a média nacional, que aponta uma disparidade de 21,3% no setor privado entre empresas com 100 ou mais funcionários. No entanto, autoridades alertam para a necessidade de uma leitura cautelosa dos indicadores locais.
O salário médio pago aos trabalhadores no estado aproxima-se do valor do salário mínimo, em torno de R$ 1.660. Como o patamar é baixo, o empregador possui margem reduzida para promover diferenciações salariais entre gêneros, o que naturalmente achata a desigualdade estatística.Igor Costa, procurador do Trabalho e coordenador de Promoção de Igualdade de Oportunidades do MPT-PI
Desigualdade racial
O Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI) ressalta que, ao analisar a remuneração global — que inclui gratificações e adicionais –, os dados revelam um cenário de discriminação mais complexo. Segundo o órgão, homens brancos recebem, em média, 60% a mais do que mulheres negras no estado, evidenciando uma desigualdade que combina critérios de gênero e raça.
Legislação
O relatório é um desdobramento da Lei nº 14.611/2023, que torna obrigatória a transparência salarial para empresas com mais de 100 empregados. O objetivo da medida é identificar disparidades e assegurar o princípio de remuneração equivalente para funções idênticas.
- O MPT-PI mantém fiscalizações para garantir o cumprimento da norma.
- A transparência salarial é apontada como ferramenta estratégica para promover a equidade no mercado de trabalho.
