Morreu neste sábado (22), em Teresina, aos 79 anos, a delegada Vilma Alves, pioneira no combate à violência de gênero e a primeira delegada negra do Piauí. Com mais de 35 anos dedicados à Polícia Civil, ela foi titular da primeira Delegacia da Mulher no estado e acumulou destaque nacional por sua atuação rigorosa no enfrentamento à violência doméstica.
A jornalista Yala Sena, do portal Cidadeverde.com, que conviveu com a delegada, destacou a trajetória de coragem e o pioneirismo de Vilma no atendimento às vítimas.
Vilma praticava a Lei Maria da Penha antes mesmo de ela existir. Antes de a legislação entrar em vigor, ela já enfrentava homens violentos com rigor, coragem e autoridade. Muitos homens a temiam. E ela sabia que esse temor também era uma arma na defesa das mulheres.
Yala Sena
Ao longo de sua carreira, Vilma Alves atuou incansavelmente na denúncia de crimes de gênero e ministrou cursos voltados para a conscientização de agressores. Entre seus alertas mais frequentes, a delegada costumava enfatizar a progressão da violência:
Mulheres, fiquem atentas. Eles começam com os beliscões, depois vem o feminicídio.
Delegada Vilma Alves
A morte da delegada repercutiu entre autoridades, familiares e profissionais da imprensa, que lamentaram a perda de uma das principais referências na luta pelos direitos das mulheres no Brasil.
