A Polícia Federal identificou que o Banco Master utilizou editores de texto, planilhas, ferramentas de programação e manipulação de PDFs para fabricar uma carteira de créditos consignados atribuída à Tirreno Consultoria. Segundo relatório técnico-pericial, a fraude funcionava como uma linha de montagem digital para dar aparência de legalidade a operações fictícias.
Esquema de falsificação e manipulação digital
A investigação aponta que a operação combinava dados reais de clientes obtidos em sistemas internos do banco — como o CredCesta, voltado a servidores e aposentados — com ferramentas de automação. Funcionários utilizavam a função mala direta do Microsoft Word para gerar procurações em massa e softwares como o PDF24 para unificar documentos.
Entre as estratégias adotadas para ocultar vestígios, a equipe de tecnologia desenvolveu scripts em C# para isolar páginas de assinatura de arquivos PDF e reaproveitá-las em novos dossiês. No entanto, a perícia constatou divergências cronológicas cruciais:
- Inconsistência de datas: Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) indicavam datas anteriores (como janeiro de 2025), mas os registros criptográficos das assinaturas digitais mostravam que os arquivos foram gerados em junho do mesmo ano.
- Ocultação de metadados: Funcionários apagaram visualmente carimbos de data e hora em Termos de Consentimento e tentaram modificar comprovantes de transferência via PIX e SPB.
Envolvimento da diretoria e auditoria
As mensagens obtidas pela corporação revelam que a cúpula do banco acompanhava o processo. Em junho de 2025, o proprietário do banco, Daniel Vorcaro, solicitou a um executivo um kit de documentos com assinatura digital. Além disso, os funcionários articulavam respostas para justificar inconsistências apontadas por auditorias externas, como as cobranças feitas pela Deloitte.
Apesar da tentativa de apagar registros e manipular em escala industrial milhares de arquivos, a estrutura digital dos documentos deixou rastros que permitiram à perícia reconstruir a cronologia da fraude.
