Criminosos utilizam a rede social TikTok para divulgar links e códigos que direcionam interessados à compra e venda de conteúdos de abuso sexual infantil no Telegram. A constatação é resultado de um monitoramento realizado ao longo de semanas por mais de 30 perfis na plataforma de vídeos.
De acordo com o levantamento, os autores das publicações utilizam artifícios e códigos nos comentários para burlar os filtros de moderação do TikTok. Os materiais comercializados no Telegram incluem pacotes de fotos e vídeos, com preços a partir de R$ 10, e transações financeiras realizadas por meio de PIX e criptomoedas.
Esquema e facilidade de acesso
As postagens no TikTok variam desde conteúdos sem relação aparente até simulações geradas por inteligência artificial. Nos espaços de comentários, tanto os ofertantes quanto os potenciais compradores utilizam sequências numéricas e termos específicos, como a palavra invite, para estabelecer contato em canais e chats privados.
Especialistas em segurança digital e direitos da infância apontam que a facilidade de acesso a esse tipo de material nas redes sociais funciona como porta de entrada para o aliciamento. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que o Brasil registrou 4.063 casos de produção, posse ou distribuição desse tipo de material em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior.
Posicionamento das plataformas
Procurado, o TikTok informou que remove publicações que violam suas diretrizes e bane contas envolvidas, apontando que 99,8% dos conteúdos inadequados são detectados de forma proativa. O Telegram declarou que proíbe o compartilhamento de materiais de abuso infantil e que mais de 330 mil grupos e canais relacionados ao tema foram excluídos ao longo do ano. Por sua vez, a Meta reiterou que investe em tecnologia para coibir violações em suas redes, como o Instagram.
Especialistas e autoridades policiais lembram que a produção, posse, acesso e divulgação de conteúdo de abuso sexual infantil constituem crimes graves no Brasil, com penas recentemente endurecidas por legislação sancionada em agosto de 2026.
