Os candidatos à Presidência da República Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) modificaram suas posições em temas centrais como programas sociais, segurança pública, direitos trabalhistas e tributação ao longo de suas trajetórias e da campanha eleitoral de 2026, conforme registros de entrevistas, debates e decisões políticas.
Bolsa família e a guinada de flávio bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro, que criticava severamente o programa Bolsa Família em publicações feitas entre 2011 e 2013 nas redes sociais — associando-o a práticas de clientelismo e dependência –, passou a defender a manutenção do benefício na campanha presidencial de 2026.
Durante o Fórum Rumos do Brasil em junho, em São Paulo, o parlamentar classificou o auxílio como um direito adquirido. Além disso, sua equipe econômica apresentou uma proposta para ampliar a regra de transição do programa, permitindo que beneficiários continuem recebendo parte do recurso por até dois anos após ingressarem no mercado de trabalho formal ou abrirem uma empresa.
Maioridade penal: a mudança de postura de lula
O presidente Lula alterou uma posição histórica contrária à redução da maioridade penal no Brasil, que atualmente é fixada em 18 anos. O petista havia se manifestado contra a medida em 2007 e 2015.
Contudo, durante sabatina no Jornal Nacional em 15 de outubro de 2026, Lula passou a defender a responsabilização criminal a partir dos 16 anos exclusivamente para casos de crimes hediondos, reconhecendo a mudança de opinião dias depois em entrevista ao SBT.
Escala de trabalho 6×1
Flávio Bolsonaro também recuou em sua posição inicial sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. Após defender modelos alternativos de flexibilização contratual, o senador declarou em outubro voto favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o regime de seis dias de trabalho para um de descanso, justificando a decisão após ouvir eleitores durante a campanha.
A “taxa das blusinhas”
O governo federal alterou sua diretriz sobre a tributação de compras internacionais de até US$ 50, medida inicialmente sancionada em 2024 para proteger a indústria nacional. Diante do desgaste político apontado por pesquisas, o presidente Lula passou a defender a revogação da taxa em 2026.
Em 10 de setembro de 2026, Lula sancionou a lei que extinguiu definitivamente a cobrança federal sobre essas importações, argumentando que a medida beneficia diretamente os consumidores de menor renda.
