As eleições de meio de mandato ("midterms") nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, podendo alterar significativamente os rumos da política econômica do presidente Donald Trump e gerar reflexos diretos no Brasil.
A disputa pelo controle do Congresso americano define o espaço que o governo terá para aprovar medidas sobre gastos públicos, impostos e regulação. Tais decisões influenciam diretamente as expectativas dos investidores internacionais, com potencial de afetar os juros e o dólar globalmente.
Impacto político e projeções
As projeções apontam vantagem para os democratas na Câmara dos Representantes, enquanto o Senado mantém uma disputa mais equilibrada. O cenário ocorre em meio à baixa popularidade do presidente: pesquisas recentes indicam que 66% dos americanos desaprovam a gestão de Trump, o maior índice histórico registrado pela Reuters/Ipsos.
Segundo economistas ouvidos pelo mercado, o desgaste está associado à insatisfação com o custo de vida. "A gasolina está acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel, de US$ 6 (R$ 32,66)", aponta Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. Para ele, a retomada de ao menos uma das Casas pelos democratas seria suficiente para dificultar a agenda legislativa do Executivo.
Reflexos para a economia brasileira
Para o Brasil, os efeitos da composição do Congresso americano chegam principalmente por dois canais: os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e a cotação do dólar.
Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que uma vitória republicana daria mais espaço a Trump para avançar com cortes de impostos e políticas comerciais duras, o que poderia ampliar o déficit público americano e pressionar os juros de longo prazo.
Por outro lado, uma vitória democrata poderia conter a expansão de gastos, aliviar a pressão sobre os juros americanos e tornar os mercados emergentes mais atraentes, favorecendo a entrada de capital no Brasil, o fortalecimento do real e a queda nas taxas futuras.
Relação bilateral e tarifas
As incertezas também envolvem a relação diplomática entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas apontam que o resultado das midterms poderá influenciar a continuidade de medidas protecionistas, como o recente tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky.
Apesar disso, especialistas ressaltam que mudanças no Legislativo não anulam automaticamente todas as tarifas, uma vez que o presidente dispõe de diferentes dispositivos legais para taxar importações, embora a Suprema Corte dos EUA já tenha derrubado algumas barreiras baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
