O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, na quinta-feira (28), que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) serão classificados como organizações terroristas. A decisão altera o protocolo de enfrentamento às facções, transferindo o foco de agências policiais para o campo da inteligência militar e estratégica norte-americana.
Impacto nas investigações
Para o promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO-SP), Lincoln Gakiya, a medida é considerada de alta gravidade. O promotor, que atua no combate a grupos criminosos desde 2005, ressalta que a mudança retira a jurisdição exclusiva do FBI e da DEA, inserindo a CIA e as forças militares dos EUA no monitoramento direto desses grupos em território brasileiro.
Se a gente for levar ao pé da letra essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar bancos que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC ou mesmo nem participaram desse esquema, mas que indiretamente receberam recursos nessa cadeia que começou lá atrás.
Lincoln Gakiya, promotor de justiça do MP-SP
Monitoramento financeiro
Gakiya aponta que a decisão coloca o sistema financeiro brasileiro sob escrutínio internacional. O alerta baseia-se em investigações como a Operação Carbono Oculto, que demonstrou a utilização de fintechs e postos de combustíveis para a lavagem de ativos, conectando o crime organizado a fundos de investimento e instituições financeiras regulares.
Geopolítica e estratégia militar
A classificação integra a nova “Estratégia Nacional de Defesa” dos EUA, que busca reafirmar a influência americana no Hemisfério Ocidental. O governo dos Estados Unidos sinalizou a possibilidade de realizar operações militares caso interesses nacionais sejam ameaçados, citando como precedente a captura de líderes de cartéis em outras nações latino-americanas.
Posicionamento do governo brasileiro
O governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentou dissuadir os Estados Unidos da medida por meio de articulações diplomáticas. Segundo fontes, o Executivo nacional não recebeu aviso prévio sobre o anúncio oficial. De acordo com o governo americano, a designação das facções justifica-se pela violência dos grupos e pelo impacto transnacional de suas atividades criminosas.
