Condenado por um assassinato em São Luís, Gilbson Cutrim Júnior entregou à Polícia Federal (PF) documentos e registros fotográficos que, segundo sua defesa, corroboram denúncias de um esquema de desvio de dinheiro público e corrupção envolvendo o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e familiares.
De acordo com os advogados de Gilbson Júnior, o esquema consistia em identificar empresas com valores a receber de gestões estaduais passadas e negociar pagamentos na administração atual, sob a condição de que parte dos recursos fosse devolvida e transportada para o escritório da família Brandão.
O caso ganhou repercussão nacional após investigações da PF apontarem que o assassinato de um homem em agosto de 2022, no centro comercial Tech Office, na capital maranhense, não decorreu de uma briga pessoal isolada — tese inicial da Polícia Civil –, mas sim de um desentendimento na divisão de propinas de contratos públicos.
Entre os materiais entregues aos investigadores constam uma foto de uma etiqueta de maço de dinheiro com identificação do Banco do Brasil, impressões de contatos telefônicos e recibos de pagamentos emitidos pela empresa pivô da disputa financeira que culminou no crime.
Na última segunda-feira (17), o ministro Flávio Dino, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento por 180 dias do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão, sobrinho do governador. O conselheiro afastado é suspeito de envolvimento nos crimes e de ter participado da reunião no Tech Office que antecedeu a execução.
Reações dos citados
Em nota oficial divulgada no início da semana, Daniel Brandão declarou que vai comprovar sua absoluta inocência e reiterou que permanece à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Por sua vez, o governador Carlos Brandão classificou as acusações como inadmissíveis e criticou a credibilidade concedida ao depoimento de um réu confesso. O chefe do Executivo estadual afirmou possuir 35 anos de vida pública limpa e atribuiu os ataques a motivações políticas decorrentes de rompimentos entre grupos locais.
“Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa, e de que recebi valores de um criminoso dentro do Palácio. Isso é inadmissível! (…) Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer”,
afirmou o governador Carlos Brandão em nota.






