Uma investigação sobre supostas fraudes financeiras no extinto Banco Master provocou uma crise institucional de grande proporção na primeira semana de setembro de 2026, atingindo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e o Palácio do Planalto. O estopim ocorreu na terça-feira (1), quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios da PF que apontam proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A origem da crise e os relatórios da PF
A investigação teve início com a Operação Compliance Zero, conduzida pela PF para apurar irregularidades ligadas a Vorcaro e ao Banco Master. Durante as diligências, os investigadores apreenderam o celular do empresário e recuperaram mensagens e documentos que foram encaminhados ao Supremo.
Segundo os relatórios divulgados por ordem de Mendonça, há registros de contatos frequentes entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, incluindo tratativas sobre operações policiais e minutas de contratos entre empresas do ex-banqueiro e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O ministro Alexandre de Moraes nega irregularidades e sustentou que os relatórios devem ser analisados à luz das regras processuais.
Conflito interno no STF e reação de Fachin
Diante das revelações, Moraes apresentou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um pedido de investigação contra André Mendonça, apontando indícios de direcionamento em apurações conduzidas pelo colega de Corte.
Nesta sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, classificou os fatos como graves, defendeu o diálogo entre as instituições e prometeu uma resposta rigorosa. Fachin também anunciou a intenção de encerrar o inquérito das fake news, relatado por Moraes e em andamento desde 2019.
Nenhuma autoridade está acima da Constituiçãodeclarou o presidente do STF, Edson Fachin, ao prometer uma resposta firme e proporcional da Corte.
Impacto na PGR e no Governo Federal
As menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos documentos da PF também geraram reflexos. O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) abriu um procedimento administrativo para analisar as referências a Gonet nas mensagens atribuídas a Vorcaro.
No Executivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os vazamentos seletivos e voltou a defender uma nova reforma no Poder Judiciário, ressaltando que autoridades públicas devem se submeter às mesmas regras.






