A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (6) que o presidente Donald Trump analisa opções para a aquisição da Groenlândia, incluindo o possível emprego de meios militares. Funcionários da administração afirmaram que o território é considerado estratégico para a segurança nacional e para a contenção de adversários na região do Ártico, de acordo com comunicado enviado à agência Reuters.
O governo norte-americano intensificou as discussões sobre a anexação do território, tema que Trump defende desde seu primeiro mandato. Em dezembro, o presidente nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para tratar da ilha, reforçando o interesse dos Estados Unidos na região por razões de defesa e posicionamento militar.
Reação internacional e oposição europeia
Líderes da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca divulgaram uma nota conjunta nesta terça-feira em resposta direta às intenções de Washington. No documento, as autoridades europeias declararam que a Groenlândia pertence à sua própria população e que a soberania sobre o território é exclusiva da Dinamarca e do governo groenlandês.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, manifestou descontentamento por meio de redes sociais na segunda-feira. “Já chega! Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação”, escreveu o premiê. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, também classificou as declarações norte-americanas como inaceitáveis após convocar o embaixador dos EUA para esclarecimentos.
Contexto estratégico e histórico
As tensões diplomáticas aumentaram após a publicação de uma imagem por Katie Miller, ligada ao gabinete da Casa Branca, mostrando a bandeira dos Estados Unidos sobre o mapa da Groenlândia com a frase “em breve”. A postagem ocorreu após uma operação militar na Venezuela, o que gerou preocupações na Europa sobre a possibilidade de ações similares no Ártico, segundo analistas diplomáticos.
A Groenlândia integra o Reino da Dinamarca desde 1953 e opera sob um regime de autonomia desde 2009. Embora a legislação permita que o território declare independência por meio de referendo, especialistas consultados pela Reuters avaliam como baixa a probabilidade de uma associação formal aos Estados Unidos. Atualmente, o governo dinamarquês investe 42 bilhões de coroas dinamarquesas para ampliar sua presença militar na região para assegurar a defesa do território.


















