A inflação dos alimentos no Brasil encerrou o ano de 2025 com alta de 2,9%, registrando uma desaceleração expressiva em comparação aos 7% observados em 2024, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (9). O recuo foi impulsionado pela queda nos preços de itens básicos, como arroz e feijão, beneficiados por safras maiores e condições climáticas estáveis, embora analistas prevejam uma reversão na tendência das proteínas animais para o próximo ano.
Perspectivas para o mercado de carnes
O preço da carne bovina desacelerou em 2025 devido à produção recorde no país, informou o IBGE. O contrafilé registrou alta de 1,3%, após um salto de 20% em 2024, enquanto a picanha teve sua inflação reduzida de 8,7% para 2,8% no mesmo período. Contudo, o CEO da Scot Consultoria, Alcides Torres, afirmou que o cenário deve mudar em 2026, com a expectativa de preços mais elevados.
“Este movimento começou por volta de outubro e vai se intensificar ao longo de 2026, principalmente no segundo semestre”, declarou Torres.
Segundo o consultor, o abate recorde de fêmeas em 2025 elevou o preço do bezerro, levando pecuaristas a reterem matrizes para reprodução, o que reduzirá a oferta de animais para abate. Fatores como as eleições, a Copa do Mundo e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil também devem aquecer a demanda interna, segundo análise da Safras & Mercado.
Produção de grãos e cesta básica
O arroz ficou mais barato para o consumidor em 2025 após a colheita crescer 20,6% na safra 2024/25, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Lucilio Alves, pesquisador do Cepea/USP, destacou que a queda de 46% nos preços ao produtor ainda permite espaço para novas reduções nos supermercados no curto prazo, embora a próxima colheita deva ser menor.
Em relação ao feijão, o tipo preto teve queda acentuada de preço após a produção subir 14% no Paraná e em Mato Grosso, informou o Cepea. Já o feijão carioca manteve preços equilibrados, pois a redução de 10% na safra foi compensada por um consumo estável, de acordo com o pesquisador.
Ovos e aves mantêm trajetória de alta
Apesar da desaceleração geral, os ovos e o frango encerraram 2025 com altas de 4% e 6%, respectivamente, informou o IBGE. O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, explicou que a população tem priorizado proteínas mais baratas, mantendo a demanda elevada. “É bem difícil que os preços do frango e dos ovos caiam neste ano”, projetou Iglesias, citando a manutenção da tendência de consumo para 2026.



















