O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, atual denominação da Reag Investimentos. A decisão fundamenta-se em graves violações das normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e ocorre no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master.
A instituição financeira, com sede em São Paulo, integra o segmento S4 da regulação prudencial, destinado a entidades de pequeno porte. Segundo nota do presidente do BC, Gabriel Galípolo, a empresa representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema financeiro, o que indica baixo impacto para a estabilidade do setor.
Investigações e bloqueio de bens
A liquidação resulta em sanções imediatas aos envolvidos. A autoridade monetária confirmou que os bens dos controladores e ex-administradores da Reag Investimentos foram declarados indisponíveis. Paralelamente, a Polícia Federal (PF) executou mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, e em endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, autorizou 42 mandados de busca e o sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. O esquema investigado envolve suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões. Sobre o caso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou preocupação:
Esta pode ser a maior fraude bancária do país.— Fernando Haddad, ministro da Fazenda
Impacto nas operações e histórico
Com a liquidação, as carteiras de investimento administradas pela empresa deverão buscar novas instituições para garantir a continuidade das operações. A Reag Investimentos atua primordialmente nos seguintes segmentos:
- Gestão de ativos (Asset Management);
- Gestão de patrimônio (Wealth Management).
A empresa também foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investigou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraude no setor de combustíveis ligado ao crime organizado. Na ocasião, a Receita Federal identificou fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões que seriam utilizados para ocultar recursos no mercado financeiro.
Em setembro de 2024, João Carlos Mansur renunciou à presidência do conselho da Reag após as investigações. O controle da companhia foi posteriormente negociado com a Arandu Partners Holding, formada por executivos da própria instituição, em uma transação de R$ 100 milhões. Procurada, a Reag Investimentos ainda não se manifestou sobre a liquidação decretada pelo Banco Central.


















