O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) o seu Conselho da Paz durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. O órgão foi criado para supervisionar a pacificação e a reconstrução da Faixa de Gaza, mas é visto por diplomatas e analistas internacionais como uma tentativa de esvaziar a influência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante a cerimônia, Trump afirmou que o conselho terá autonomia para atuar em diversos conflitos, começando pelo território palestino. O governo norte-americano apresentou o projeto “Nova Gaza”, que prevê a desmilitarização da região e sua transformação em um polo imobiliário e turístico repleto de arranha-céus.
Estrutura e governança vitalícia
De acordo com o estatuto do grupo, obtido pela agência Reuters, Donald Trump ocupará a presidência do Conselho da Paz em caráter vitalício, detendo o poder de veto em votações e a prerrogativa de convidar ou excluir nações participantes. O documento estabelece ainda que países interessados em um assento permanente no órgão deverão pagar uma taxa de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,37 bilhões), recursos que serão administrados pela presidência dos EUA.
“Este será um conselho não só da paz, mas da ação”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante o evento.
O conselheiro e genro do presidente, Jared Kushner, detalhou o plano urbanístico para o enclave, exibindo um mapa que divide a região em zonas residenciais, agrícolas, portuárias e de negócios. A proposta faz parte da segunda fase de um acordo mediado pelos EUA e assinado em outubro passado entre Israel e o grupo Hamas.
Reação internacional e ausências notáveis
Embora cerca de 30 líderes mundiais tenham comparecido ao lançamento — incluindo o presidente da Argentina, Javier Milei –, a ausência de grandes aliados ocidentais foi registrada. Até o momento, 25 países aceitaram integrar o grupo, como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e El Salvador. Por outro lado, nações como Noruega, Suécia e Itália já recusaram formalmente o convite.
O rascunho do estatuto do conselho contém críticas veladas à ONU, defendendo a necessidade de um organismo “mais ágil” e alegando que instituições tradicionais falharam em suas missões. Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, a nova estrutura concentra poder excessivo em uma única liderança e carece de mecanismos de equilíbrio.
Dilema para o governo brasileiro
O presidente Lula foi convidado a integrar o conselho no último sábado (17), mas ainda não formalizou uma resposta. Fontes próximas ao Palácio do Planalto indicam que o tema deve ser avaliado na próxima semana, representando um desafio diplomático para o Brasil.
A adesão ao grupo poderia gerar questionamentos sobre a coerência da política externa brasileira, que defende historicamente a solução de dois Estados e tem criticado as operações militares de Israel em Gaza. Contudo, uma recusa direta poderia tensionar a relação com a Casa Branca após a recente aproximação comercial entre os dois países. Além da incerteza sobre a participação brasileira, ainda não está claro qual será o papel dos representantes palestinos dentro da nova estrutura de governança.
Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/22/trump-lanca-conselho-da-paz-em-davos.ghtml


















