O aiatolá Alireza Arafi foi eleito neste domingo (1º) como o líder supremo interino do Irã, um dia após a morte de Ali Khamenei. Segundo informações das agências de notícias estatais iranianas, Arafi chefiará o Conselho interino de liderança, órgão responsável por coordenar a escolha do novo ocupante permanente do posto máximo do país.
Transição de poder e governança
O conselho interino, que inclui o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, conduzirá a administração nacional até que a Assembleia dos Peritos realize a eleição de um sucessor definitivo. A nomeação de Arafi ocorreu poucas horas após a confirmação de que um comitê de alto escalão assumiria temporariamente as funções de liderança.
A crise sucessória foi desencadeada pela morte de Khamenei na madrugada de sábado (28), em decorrência de um bombardeio coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o complexo presidencial onde ele se encontrava. O governo iraniano confirmou o óbito apenas no final da noite de sábado.
O sistema teocrático iraniano
Desde a Revolução de 1979, o Irã opera sob um regime teocrático no qual o cargo de Líder Supremo concentra a autoridade política e religiosa final. Em quase cinco décadas, apenas duas autoridades ocuparam a função: o aiatolá Khomeini, até 1989, e Ali Khamenei, desde então.
Diferente do presidente, que responde por políticas econômicas e questões administrativas internas, o Líder Supremo possui atribuições amplas que incluem:
- Comando supremo das Forças Armadas;
- Nomeação de membros do alto escalão do Judiciário;
- Poder de veto sobre candidatos às eleições presidenciais;
- Diretrizes principais da política externa e do programa nuclear.
A responsabilidade de selecionar e supervisionar o detentor deste cargo cabe à Assembleia dos Peritos, um colegiado formado por clérigos islâmicos que deve agora acelerar o processo para definir o novo rumo do Estado iraniano.


















