A possível imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tende a consolidar a China como o principal parceiro econômico do Brasil, ampliando uma tendência de perda de espaço norte-americano na balança comercial nacional. Analistas apontam que as barreiras protecionistas dos EUA incentivam o redirecionamento dos fluxos de exportação brasileira para o mercado chinês e outras economias emergentes.
Impacto das novas taxações
O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs recentemente a taxação de 25% sobre produtos brasileiros, fundamentando a medida em investigações da Seção 301. Adicionalmente, o Brasil foi incluído em uma lista de países sujeitos a sobretaxas entre 10% e 12,5%, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
Dados da balança comercial indicam que, entre janeiro e maio de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 16,02% em comparação ao mesmo período de 2025, caindo de US$ 16,6 bilhões para US$ 14,01 bilhões. A participação norte-americana no total das exportações do Brasil passou de 12,21% para 9,43%.
Crescimento do comércio com a China
Em sentido oposto, as vendas para a China cresceram 21,82% no mesmo intervalo, atingindo US$ 46,2 bilhões. A China agora detém 31,14% das exportações brasileiras, consolidando sua liderança. Segundo Jan Marcel Lacerda, especialista em Comércio Exterior e professor de Relações Internacionais da UFT, a demanda chinesa por minérios, incluindo terras raras, é um fator central nesta relação.
Vemos o minério, que uma das grandes questões é a das terras raras e as possibilidades que aquilo traz para a indústria bélica, para o desenvolvimento da China, para o desenvolvimento tecnológico. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo e os Estados Unidos estão de olho nisso, como a China também já tem uma relação clara de exportação desses minérios.
Jan Marcel Lacerda, professor da UFT
Diversificação de mercados
O cenário tem levado o Brasil a buscar novos parceiros comerciais. Nos primeiros cinco meses de 2026, as exportações para a Índia subiram 70,22%, enquanto as importações provenientes da Coreia do Sul cresceram 138,68%. Welber Barral, sócio da consultoria BMJ e ex-Secretário de Comércio Exterior, ressalta que o protecionismo norte-americano atua como um catalisador para a estratégia brasileira de diversificação.
O especialista destaca que, desde as tarifas impostas no ano passado, o Brasil buscou novos acordos comerciais com a Indonésia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Segundo Barral, "o que os Estados Unidos não veem é que essas barreiras acabam diminuindo a relevância relativa dos Estados Unidos em relação ao Brasil e obrigando as empresas brasileiras e o governo a procurar novos acordos e novos mercados".


















