O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Piauí (MPPI), deflagrou a Operação Guarda-Mór para recuperar um acervo histórico ameaçado de abandono. A ação resultou na apreensão de itens de valor documental inestimável, incluindo nove chaves de senzalas e registros de compra e venda de pessoas escravizadas datados entre 1831 e 1850.
Origem do acervo
Os itens pertenciam ao acervo do Museu do Zé Didôr, localizado em Campo Maior, que permanece fechado desde o falecimento de seu proprietário, em dezembro de 2022. A operação foi motivada por denúncias da Associação Nacional dos Historiadores, que apontou a falta de acesso público ao material, considerado o maior acervo particular do Brasil.
Detalhes da apreensão
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na última quarta-feira (13) em cinco endereços distribuídos entre as cidades de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco. Entre o material recolhido, destacam-se:
- Documentos cartoriais e inquéritos datados de 1936 a 1938;
- Escrituras centenárias;
- Artefatos relacionados à Batalha do Jenipapo.
Segundo o promotor de justiça Maurício Gomes de Sousa, parte do material foi encontrada em condições precárias em uma residência no bairro Dirceu, em Teresina. “O material estava abandonado, era tratado como lixo, embora contenha a base da construção social do Estado”, afirmou o promotor.
Destino dos documentos
Todo o material apreendido passará por um processo de catalogação e perícia técnica, que será conduzido pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). O MPPI informou que documentos pertencentes ao Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), doados informalmente ao museu no passado, serão restituídos ao órgão após a conclusão das análises, assim como os itens que compõem o acervo legal da fundação.
Maurício Gomes de Sousa, promotor de justiça“A história de quem é piauiense está aqui apreendida. Os documentos mostram que as pessoas escravizadas eram escrituradas como posse. É a nossa história.”


















