O fenômeno climático El Niño tem 80% de probabilidade de atingir intensidade forte no final do ano, com potencial para encarecer os alimentos in natura em até 19,9% no Brasil, segundo estudo divulgado pelo Rabobank. O pico nos preços deve ocorrer em até seis meses após os choques climáticos.
De acordo com o levantamento, os produtos mais sensíveis às alterações no clima, como hortaliças e carnes, registram aumentos de preços mais velozes. Em um cenário de El Niño moderado, a alta projetada para os alimentos in natura é de 13,4%, adicionando cerca de 0,41 ponto percentual à inflação geral medida pelo IPCA. Já em um evento forte, o impacto total na inflação pode alcançar 0,83 ponto percentual.
Impacto regional e setorial
As regiões com maior consumo ou produção de alimentos in natura tendem a sofrer os efeitos com maior rapidez. Capitais como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo lideram as projeções de altas mais expressivas.
Entre as culturas e setores mais vulneráveis estão o milho, café, feijão, arroz, trigo, laranja, cana-de-açúcar e a pecuária. Segundo o Itaú BBA, o setor leiteiro também pode ser afetado dependendo do volume de chuvas na Região Sul.
O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima em diferentes partes do mundo, causando secas em algumas áreas e chuvas intensas em outras.
Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA)
Previsões meteorológicas
Dados da NOAA indicam que há 57% de probabilidade de um evento forte e 16% de um evento muito forte, somando 80% de chances para um cenário severo no final do ano. Por outro lado, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que algumas regiões poderão ser beneficiadas, a exemplo do Sul com as culturas de inverno e do Nordeste com a colheita de feijão.


















