O governo dos Estados Unidos ampliou a presença militar no Oriente Médio em uma tentativa de forçar o Irã a negociar restrições ao seu programa nuclear. Segundo analistas de relações internacionais, o regime de Teerã enfrenta dificuldades para reconstruir seu arsenal após o conflito de 12 dias contra Israel e forças norte-americanas em 2025, o que gera brechas estratégicas na defesa do país.
A mobilização militar recente inclui o envio do grupo de ataque liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, acompanhado por destróieres e jatos de combate. O presidente Donald Trump condicionou a interrupção da escalada militar à aceitação, por parte do Irã, de novos termos para o controle de suas atividades nucleares.
Vulnerabilidades estratégicas e pressão política
Especialistas avaliam que o estado atual das forças iranianas oferece uma vantagem tática a Washington. Ana Karolina Morais, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (NUPRI), afirmou que os Estados Unidos possuem uma oportunidade significativa para uma nova ofensiva, dada a incapacidade de Teerã em reparar danos críticos sofridos em confrontos recentes.
Apesar da postura oficial do Irã, que promete uma “resposta esmagadora” a qualquer agressão e alega ter ampliado seu estoque de mísseis e drones, analistas externos veem os discursos com cautela. Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, aponta que o país enfrentaria sérios entraves para repelir bombardeios aéreos sofisticados.
“O país enfrentaria sérios problemas para se defender de um bombardeiro dos EUA e para responder de forma eficaz.”— Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor da UFF.
Redução do arsenal e impacto das sanções
Estimativas de institutos especializados em segurança internacional indicam uma queda acentuada no poder bélico iraniano. O arsenal de mísseis, que somava cerca de 3 mil unidades no primeiro semestre de 2025, teria recuado para aproximadamente 1.500. A reposição desses equipamentos é dificultada por sanções internacionais, que bloqueiam o acesso a componentes eletrônicos e baterias de defesa aérea avançadas.
No setor de defesa antiaérea, os danos são expressivos:
- Sistemas S-300: Israel afirma ter destruído cerca de 40 baterias russas de alta tecnologia durante a guerra de 2025.
- Frota Aérea: O Irã opera cerca de 270 jatos, mas a falta de peças de reposição compromete a prontidão operacional.
- Indústria de Drones: Embora Teerã possua tecnologia avançada em drones de ataque, o sistema não compensa integralmente a fragilidade da força aérea convencional.
Mobilização naval e alcance militar
A força-tarefa enviada por Trump está posicionada estrategicamente no Mar Arábico e em bases militares em países aliados como Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait. Além do porta-aviões USS Abraham Lincoln e suas 60 aeronaves, ao menos dez navios de guerra norte-americanos estão em posição de alcance contra o território iraniano.
Os destróieres enviados têm capacidade para carregar até 96 mísseis Tomahawk, conhecidos por sua precisão e baixo rastro de detecção. Enquanto Washington considera opções que vão de bombardeios cirúrgicos a operações especiais, Teerã sustenta que qualquer incursão será tratada como ato de guerra, mantendo o impasse diplomático na região.


















