Representantes do agronegócio afirmam que a União Europeia sinalizou ao Brasil, ainda em junho de 2023, a intenção de intensificar medidas contra a resistência antimicrobiana, movimento que culminou na recente restrição às exportações de carne brasileira. Segundo fontes do setor, a falta de avanços nas negociações técnicas sobre padrões fitossanitários ao longo dos últimos três anos foi determinante para o impasse atual.
Contexto das exigências sanitárias
A preocupação europeia tem como base uma recomendação aprovada pelo Conselho Europeu em 13 de junho de 2023, como parte de um pacote farmacêutico. O documento classifica a resistência aos antimicrobianos (RAM) como uma das três principais ameaças globais à saúde, defendendo que o combate ao problema deve ser tratado como uma prioridade política em fóruns como o G7 e o G20.
Uma resolução complementar aprovada no mesmo período destacou a necessidade de cooperação internacional, enfatizando que a questão abrange a saúde humana, animal e o meio ambiente. Setores do agronegócio sugerem que a decisão de restringir a entrada do produto brasileiro também pode estar associada a pressões de produtores europeus, como França e Polônia, como retaliação ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Posicionamento do governo brasileiro
O Ministério da Agricultura informou, por meio de nota, que mantém discussões técnicas com o bloco europeu desde 2023 sobre políticas de uso de antimicrobianos. A pasta reforçou que o Brasil exporta carne para a União Europeia há mais de 40 anos, cumprindo rigorosamente as exigências vigentes.
O Brasil cumpre os requisitos para exportar para mais de 160 países do mundo e espera, por meio do diálogo, convencer os europeus a aceitarem a carne brasileira.
Nota do Ministério da Agricultura
O governo brasileiro sustenta que o país atende aos padrões internacionais de qualidade e busca reverter as restrições por meio de negociações diplomáticas e técnicas.


















