O novo conjunto de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros força empresas nacionais a buscarem novos mercados para reduzir a dependência do consumidor norte-americano. Embora a China se destaque como o principal destino das exportações do Brasil, especialistas alertam que a capacidade do mercado asiático em absorver essa demanda é limitada pela divergência entre o perfil dos bens comercializados e a estrutura industrial chinesa.
Divergências na pauta exportadora
As exportações brasileiras para os EUA concentram-se em produtos industrializados, como aeronaves, máquinas, equipamentos e artigos siderúrgicos. Em contrapartida, a pauta com a China é predominantemente composta por commodities, como minério de ferro e soja. Segundo Vera Kanas, especialista em comércio internacional, essa disparidade dificulta uma substituição imediata de mercado.
O que entra nesse tarifaço são, basicamente, produtos manufaturados, máquinas, equipamentos e esse tipo de coisa. E, nesse caso, a China produz muito e exporta justamente esse tipo de produto.
Especialista em comércio internacional
Barreiras e contexto econômico
A expansão das vendas para o mercado chinês enfrenta entraves regulatórios, como cotas tarifárias, exigências sanitárias e regras rigorosas de habilitação. Desde janeiro de 2026, a China aplica cotas de importação sobre a carne bovina brasileira, estabelecendo uma sobretaxa de 55% para volumes que excedam 1,1 milhão de toneladas anuais.
Além das restrições regulatórias, a economia chinesa enfrenta desafios internos. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,3%, desempenho inferior à meta oficial do governo. O país lida ainda com uma crise no setor imobiliário e um consumo doméstico enfraquecido.
Diversificação como estratégia
Dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) indicam que o Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimentos produtivos chineses em 2025, focados em energia renovável, mineração e mobilidade elétrica. Apesar disso, especialistas defendem que a estratégia mais segura para o país é a diversificação de mercados, em vez de elevar a dependência da China.
- Ampliação de negociações comerciais via Mercosul.
- Foco em novos parceiros globais como Japão, Canadá e Singapura.
- Consolidação do acordo de livre comércio com a União Europeia.
O professor Wagner Pagliato reforça que a busca por novos destinos reduz a exposição tanto à política comercial dos EUA quanto à instabilidade econômica chinesa. Enquanto isso, o movimento inicial de empresas brasileiras tem sido de adaptação comercial, buscando preservar as vendas aos EUA por meio de reajustes de preços e condições de venda.


















