O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no sábado (21) a elevação da nova tarifa global de importação de 10% para 15%. A medida, fundamentada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, ocorre após a Suprema Corte norte-americana derrubar o conjunto anterior de tarifas na sexta-feira (20). As novas taxas entram em vigor à 0h01 (horário de Washington) desta terça-feira (24).
A decisão atinge todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA, embora existam exceções previstas para itens como minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos. No caso do Brasil, a aplicação da alíquota uniforme de 15% incidirá sobre diversos setores, mas determinados insumos básicos permanecem com custos elevados.
Impacto nas exportações brasileiras
Segundo o especialista em comércio exterior Jackson Campos, a nova configuração resulta em uma sobretaxa geral de 15% sobre produtos brasileiros. Entretanto, produtos específicos mantêm encargos superiores.
- Aço e alumínio: Continuam sujeitos a alíquotas de 50%, que agora se somam aos 15% recém-anunciados, resultando em um custo de 65%.
- Redução média: Um relatório da organização Global Trade Alert indica que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias globais entre os parceiros comerciais, com uma queda de 13,6 pontos percentuais em relação ao cenário anterior.
De acordo com cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), baseados em dados de 2024, a anulação das tarifas anteriores pela Suprema Corte afeta diretamente cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras. A decisão judicial invalidou taxas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Reação do governo e competitividade
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o novo modelo tarifário preserva a competitividade das empresas nacionais por ser aplicado de forma equânime a todos os exportadores globais.
“Foi positivo. Acho que tem uma avenida de negociação com a ida do presidente Lula agora em março aos EUA para a gente conseguir abordar ainda questões não tarifárias.”Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil
Alckmin destacou que, antes da intervenção judicial, aproximadamente 22% das exportações do Brasil para os Estados Unidos estavam sujeitas a uma sobretaxa de 40%. A uniformização em 15%, segundo a avaliação do governo, coloca o país em patamar de igualdade com seus principais concorrentes internacionais.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/23/tarifaco-de-trump-entenda-as-mudancas.ghtml






