Após quase nove anos de espera por justiça, a condenação de dois ex-policiais militares pela morte da menina Emilly Caetano Costa, de 9 anos, marcou o encerramento de um dos casos mais emblemáticos de violência policial em Teresina. A mãe da criança, Dayane Félix, declarou que o desfecho do julgamento permite que a família, finalmente, possa iniciar o processo de luto.
O veredito
A sentença foi proferida na última sexta-feira (1º), após mais de 24 horas de sessão de júri popular. O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) obteve as condenações dos dois réus envolvidos na abordagem ocorrida na Avenida João XXIII, na zona Leste da capital piauiense:
- Aldo Luís Barbosa Dornel: condenado a 97 anos de reclusão e 2 anos e 8 meses de detenção por homicídio qualificado, quatro tentativas de homicídio qualificado e fraude processual.
- Francisco Alves: condenado a 2 anos e 3 meses de detenção por fraude processual, devido à alteração da cena do crime antes da perícia.
Impacto na família
Para a família, o trauma decorrente da ação policial deixou sequelas permanentes. Além da perda de Emilly, o pai da criança foi baleado na cabeça, resultando em perda auditiva parcial, enquanto Dayane Félix e outras crianças que estavam no veículo sofreram ferimentos. A mãe relata que, desde o ocorrido, enfrenta quadros de depressão e ansiedade.
O meu sentimento é de muita gratidão, gratidão demais a Deus por ter feito a justiça no momento certo. Depois desses nove anos, eu posso dizer que agora eu posso descansar, agora eu posso ter meu luto. A minha filha não volta mais, mas só em saber que eles estão presos, eu vou ter meu luto em paz, eu vou ter minha vida em paz.
Dayane Félix, mãe da vítima
Contexto do caso
O episódio aconteceu quando policiais militares abriram fogo contra o carro da família. As investigações concluíram que não houve abordagem prévia clara e que os disparos foram efetuados mesmo após a interrupção do veículo. O processo, que incluiu laudos periciais, exames balísticos e imagens de segurança, arrastou-se por quase uma década até a decisão do Tribunal do Júri. A defesa dos acusados ainda pode recorrer da sentença.




















