O advogado Willer Tomaz, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), possui outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, além do imóvel que virou alvo de disputa com o jogador Richarlison. A maioria das propriedades foi adquirida entre 2021 e 2022, período em que o parlamentar apresentou projetos legislativos voltados para a flexibilização de regras em áreas de preservação na região.
Segundo levantamento feito em cartórios e nos sistemas da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), as aquisições coincidem cronologicamente com a tramitação de propostas de interesse imobiliário na Costa Verde. Entre os projetos relatados ou apresentados por Flávio Bolsonaro no Senado estão uma proposta para municipalizar unidades de conservação federais e estaduais e a chamada PEC das Praias, que visa permitir a privatização de ilhas marítimas pertencentes à União.
Disputa com o jogador Richarlison
O caso ganhou repercussão nacional após um vídeo publicado pelo atacante Richarlison, em 21 de outubro, no qual o atleta acusa o senador de se aliar a Tomaz em uma disputa judicial e administrativa por uma mansão na Ilha Comprida. O jogador afirma ocupar o local desde 2020, com um investimento de R$ 10 milhões por meio da empresa Sport 70.
Registros da SPU apontam divergências na celeridade dos processos administrativos para a regularização dos imóveis. Enquanto o pedido protocolado pela empresa de Richarlison em setembro de 2021 não avançou, a solicitação de uma empresa ligada a Tomaz, protocolada em maio de 2022, obteve trâmite célere, resultando na emissão de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT) em pouco mais de duas horas.
O jogador pagou a posseiros e não à proprietária de direito, sustentou a defesa de Willer Tomaz ao apresentar escrituras registradas e decisões favoráveis no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Defesa de Willer Tomaz
Projetos legislativos e investigações
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e autorizadas pelo STF apuram se há relação entre as aquisições imobiliárias do advogado e a atuação legislativa do senador. Deputados federais formalizaram pedidos ao STF para que o caso da ilha seja anexado ao inquérito principal relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Tanto Tomaz quanto Flávio Bolsonaro negam irregularidades e afirmam não manter sociedades comerciais.
Em março de 2026, planos de Tomaz para construir um resort de luxo na Ilha do José André, situada na Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, foram paralisados após a anulação de um decreto estadual que havia revogado normas de manejo ambiental.


















