O falecimento da arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon completa um ano neste 4 de junho. Reconhecida mundialmente por transformar o sertão do Piauí em um dos principais polos arqueológicos das Américas, Guidon deixou como herança um complexo de sítios pré-históricos com datações que superam os 30 mil anos. Atualmente, pesquisadores e gestores trabalham para manter a continuidade do legado científico, social e ambiental da fundadora do Parque Nacional Serra da Capivara.
Continuidade administrativa e científica
A gestão do parque, agora consolidada após um processo de transição planejado pela própria arqueóloga, mantém o foco na preservação das inscrições rupestres e na manutenção da estrutura institucional. Marrian Rodrigues, atual chefe do Parque Nacional Serra da Capivara, reforça que a proteção do território segue como missão prioritária das equipes técnicas.
Como parte de uma geração formada por ela, compreendo que seguir esse trabalho é também assumir uma missão de continuidade, cuidado e responsabilidade com o território.
Marrian Rodrigues, chefe do Parque Nacional Serra da Capivara
Projetos de pesquisa e monitoramento
As atividades científicas no parque permanecem ativas sob a direção da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM). Marcia Chame, diretora científica da fundação, detalha que os projetos atuais, financiados por recursos da OAB e da Fapepi, investigam fatores de risco geológico e o comportamento da fauna local.
Entre as ações em curso, destaca-se o estudo sobre a superpopulação de mocós (Kerodon rupestris). Pesquisadores avaliam o impacto da espécie na conservação das pinturas rupestres, buscando equilibrar a preservação ambiental com a proteção do patrimônio arqueológico.
Visitacão e desenvolvimento regional
Rosa Trakalo, diretora dos Museus do Homem Americano e da Natureza, aponta que o interesse turístico na região apresentou crescimento após a morte de Guidon. Dados indicam que:
- O Museu da Natureza registrou um aumento de 9,59% nas visitações no último ano, totalizando mais de 32 mil visitantes.
- O Museu do Homem Americano obteve um incremento de 11,68% na frequência de público.
Apesar dos números positivos, a gestão destaca a necessidade de novos patrocínios para viabilizar projetos de inclusão de instituições de baixa renda, visto que a manutenção do complexo depende majoritariamente da venda de ingressos. A criação de um memorial em homenagem a Niède Guidon ainda é um projeto em fase de planejamento, conforme a administração do espólio da arqueóloga.


















